Há pouco tempo, escrevi outro texto sobre autonomia individual como uma das formas de aproveitar todas as possibilidades que era pós-digital oferece. Depois disso, fiquei me perguntando:** “O que, efetivamente, a gente precisa fazer para viver com mais autonomia em todos as áreas da nossa vida?”** e, como (não surpreendentemente) apaixonada por trabalho remoto, queria aprofundar também ainda mais a discussão sobre autonomia e esse formato de trabalho.

Para isso, quis conversar com outra pessoa que tivesse experiência no assunto, então falamos com um membro da Comunidade Officeless, o Stephan Dohrn. Ele é coach pessoal para pessoas que querem adotar o trabalho remoto, empreendedor, facilitador e expert em colaboração digital.

Ele trouxe uma perspectiva e uma visão, que eu compartilho, sobre o que consideramos como resultado, como isso impacta na nossa autonomia e o que isso tem a ver até com a forma que escolhemos viver. Nas palavras dele…

“Uma das mudanças que precisamos fazer em nossa cabeça é de pensar menos em horas e mais em qual resultado que queremos ter. Como é possível ser eficiente e eficaz para que você também possa sair ganhando? No final, o seu cliente vai ter o serviço entregue e você terá mais algumas horas para atender outra empresa ou, quem sabe, andar de bike.

É uma questão de começar a perceber como você quer viver e o que é necessário para fazer isso acontecer. Por exemplo, você quer trabalhar dez horas por dia para ganhar muito dinheiro ou trabalhar quatro horas, viver com menos e ter mais tempo livre? Esses são os resultados que devemos estar em busca.”

E o que Stephan diz é totalmente contrário ao conceito de quem acredita que o resultado só aparece se você trabalhar 20 horas por dia, ficar até tarde no escritório ou enviar 50 e-mails em uma hora. O* *próprio Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, acredita que é muito melhor tomar TRÊS decisões de alta qualidade por dia do que milhares de pequenas decisões.


Como desenvolver autonomia trabalhando remotamente?

Quanto mais flexível for o contexto em que você está (e trabalhar remotamente se inclui nessa condição), mais o autoconhecimento vai ser necessário para lidar com o tempo, dedicação, energia e as interrupções que você pode enfrentar em um dia.

O Stephan fala que para superar isso a gente precisa saber fazer a gestão da nossa atenção, ou seja, criar compromissos, começar a entender quais são os nossos limites e delimitar eles dentro disso. Por exemplo, se você assumiu que vai reservar duas horas para uma tarefa específica, é nisso que você vai se dedicar. E, aqui, ele também fala o quanto o conceito da atenção plena (mindfulness) pode trazer vantagens.

Para contextualizar:

Atenção plena (ou mindfulness) é uma mentalidade onde você está aberto e focado no momento presente. Você fica atento aos seus pensamentos, mas sem julgamentos ou críticas.

Quando você se percebe mais e exercita a atenção plena, você se torna capaz de identificar os sentimentos negativos que podem causar estresse ou frustração.

No trabalho, principalmente quando atuamos remotamente, além de tentar enxergar quais são os resultados que esperamos para a nossa vida pessoal, nós precisamos olhar para o restante do cenário e para a forma como nosso time distribuído trabalha.

Faça esse exercício e tente responder: Como o seu time funciona? Como vocês se comunicam? Quais são os marcos importantes de um projeto? O que é esperado de você?

Se você trabalha com processos criativos, mas também é um líder, como você vai organizar o seu tempo durante a semana para não gerar ansiedade ou ficar multitasking em tarefas que exigem esforços diferentes? A atenção plena pode ajudar você a ser mais produtivo e também a conquistar mais autonomia.

Tendo clareza sobre todos esses pontos você vai conseguir ter muito mais autonomia de saber em quais momentos focar em que, mesmo que isso seja sua vida profissional ou pessoal, sem faltar com nenhum compromisso.


Quando a gente fala de fazer a transição do modelo de trabalho focado no presencial para o trabalho remoto, existe a concepção que só essa mudança de espaço físico será o suficiente para alcançar mais liberdade na relação da vida pessoal com a profissional. Sim, é um caminho e esse formato ajuda bastante, mas sem autoconhecimento, a autonomia ainda fica ofuscada.

Como o Stephan falou em nossa conversa, a autonomia nasce quando a gente começa a olhar para a qualidade e não para a quantidade, quando aprendemos a priorizar e a ter mais calma e, principalmente, quando reconhecemos os nossos limites.

E aquela compartilhada marota?

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