Precisamos esperar uma situação catastrófica para colocar em prática o trabalho remoto?

Lembro como se fosse hoje, nos protestos de Junho de 2013 onde Brasil parou, eu estava em uma videoconferência ouvindo barulhos de tiros e bombas. As pessoas com quem eu conversava, estavam dentro de um escritório na Avenida Paulista - epicentro dos protestos. Já era noite, eles estavam presos no escritório e não podiam voltar para casa. Foram pegos de surpresa naquele dia de protesto - foi o primeiro dia de muitos que viriam a seguir. Naquele instante, fiquei pensando como foram os outros dias de trabalho daquela empresa, já que eles não tinham a cultura do trabalho remoto instalada. Provavelmente, um caos.

Agora, mais um caso extremo, dessa vez é o coronavírus.

Confesso que pensamos várias vezes antes de escrever algo sobre por ser um assunto muito delicado. Mas ao ver conversas profundas no twitter sobre o assunto e uma série de matérias sobre empresas utilizando o trabalho remoto como solução, resolvemos falar sobre o assunto. 

Com a propagação do coronavírus em diferentes países, principalmente na China, empresas e diferentes organizações estão flexibilizando as jornadas de trabalho dos colaboradores. Alguns veículos de comunicação, inclusive, falam que essa poderá ser a maior experiência de trabalho remoto já vivenciada.

Todos esses acontecimentos acabaram levantando um questionamento:

Será que precisamos passar por uma situação catastrófica como essa para nos darmos conta o quanto é importante uma equipe estar preparada para o trabalho remoto?

As manchetes são claras em evidenciar o quanto as cidades chinesas estão vazias. O tráfego deixou de existir. As lojas, fábricas e supermercados se tornaram ambientes fantasmas. Enquanto isso, multidões povoam suas próprias casas para o trabalho continuar acontecendo e evitar o contágio com o vírus. Porém, para muitos, trabalhar dessa maneira é uma novidade. 

Em matéria para a Exame, por exemplo, Alvin Foo, diretor-gerente da Reprise Digital, uma agência de publicidade de Xangai com 400 funcionários, deixou claro as suas preocupações: 

“Obviamente, não é fácil para uma agência de publicidade criativa que faz muitos ‘brainstorms’ presencialmente. Isso vai significar muitas conversas por vídeo e telefonemas."

Essa é uma das situações que poderiam ser facilmente contornadas se a equipe já estivesse preparada para trabalhar remotamente. Por aqui, já falamos muito sobre ferramentas como Mural (quadro branco virtual), o Zoom (videoconferência) e o Cuckoo (gerenciador de tempo), são a combinação perfeita para conduzir um brainstorm a distância - sem esquecer do papel essencial de um facilitador que saiba conduzir dinâmicas online.

Nessa mesma matéria, fica evidente o quanto líderes estão aflitos com a possibilidade de que trabalhar fora do escritório diminua a produtividade - uma informação que não é validada pela grande maioria das pesquisas sobre trabalho remoto. Se você nos acompanha por aqui, já deve ter visto algumas referências que comprovam crescimento na produtividade de quem opta ou tem a possibilidade de trabalhar remoto.

Alguns estudos: State of Remote Work 2019 - Buffer, Deseret News - Programa piloto para funcionários estaduais de UTAH, IWG Global Workspace Survey 2019

Estamos vivendo uma situação caótica na área da saúde e que, por consequência, vêm impactando o mundo de diferentes maneiras. Pesquisadores e estudiosos já estão em busca de uma solução para o coronavírus 🙏. Ao mesmo tempo, a "máquina dos negócios" também não pode parar. 

Empresas e organizações precisam estar preparadas para trabalhar a distância sem que isso impacte em nada a produtividade das pessoas e o resultado da empresa, não só por causa de acontecimentos extremos como esse, mas por vários outros motivos.

Então, toda vez que algo fora da situação de controle ocorrer, o caos irá se instaurar no mundo dos negócios e na economia? Não, isso não se faz necessário com toda a tecnologia que possuímos atualmente. É evidente que existem muitas particularidades no cenário de cada negócio e até mesmo nos segmentos de atuação e não estamos aqui para julgar isso. 

Antes de mais nada, estamos torcendo que uma resolução seja encontrada o mais breve possível para impedir o proliferamento do vírus, mas também levantamos uma bandeira para líderes de empresas: a saída não está em buscar apenas medidas paliativas e desordenadas para atender necessidades a curto prazo de um escritório. 

Está em entender que estamos sujeitos à diferentes situações (algumas até inimagináveis) e que, dentro de uma equipe, não se pode contar que alguém esteja sempre disponível para trabalhar no momento e no local em que uma empresa deseja. Pessoas têm sonhos, desafios e necessidades próprias. 

E aí, a sua equipe continuará dependendo de um escritório para que o trabalho aconteça?

Só um heads up, com o trabalho remoto, é possível driblar as mais variadas adversidades e ter uma equipe produtiva, conectada e engajada mesmo sem estar no escritório. 

Estamos na torcida para que consigamos vencer o coronavírus quanto antes.

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