Autogestão e alinhamento: somando potências por um propósito comum

Enxergar novas possibilidades e ver o trabalho remoto como uma delas é também fazer uma reflexão sobre a forma como a equipe se organiza para alcançar resultados que gerem impacto nos projetos. Aqui, a autogestão pode surgir para potencializar as habilidades individuais e coletivas do time.

A transição para o trabalho remoto é cheia de desafios, tabus e, nesse processo, algumas métricas acabam perdendo valor, como o número de horas que o time costuma trabalhar. O que passa a ser relevante é mensurar o impacto que cada pessoa da equipe é capaz de causar. E, de início, isso pode parecer uma quebra muito grande.

O segredo para fazer essa mudança está em entender o quanto a autogestão e o alinhamento são importantes nesse processo.

Não tenho dúvidas que falar sobre outros formatos de organização, além da tradicional pirâmide de comando e controle, pode gerar desconforto e desconfianças em muitas pessoas. Então vamos do começo, do que é autogestão - na minha opinião - até como ela pode ser aplicada no dia a dia.

O que é (e não é) autogestão

Hm, certo, então quer dizer que agora todos ganharam mais autonomia e eliminamos a ideia de hierarquia na organização, né? Hmmm… não! A figura do “eu mando e você obedece” pode ter saído de cena, mas autogestão também não significa que todo mundo é igual.

Vamos fazer um disclaimer aqui:

Autogestão não é ausência de regras ou falta de estrutura. Utilizar essa prática quer dizer que cada um é livre para buscar a melhor versão de si e explorar ao máximo o seu potencial para entregar resultados que tenham a ver com o propósito comum da empresa.

O Guilherme Lito, palestrante e empreendedor, fala sobre isso em um de seus textos. Repercutindo aqui a fala dele, ele deixa claro:

“Liderança por competência técnica ou liderança por “perfil de organizar e coordenar” acontecem espontaneamente e frequentemente sem uma configuração definida passível de ser congelada no tempo. Além da liderança que pode vir da superioridade técnica na execução de alguma tarefa, por exemplo, há também que se reconhecer uma liderança/hierarquia sistêmica. No início, eu achava que era possível como sócio numa reunião só com funcionários ser como um deles ou que o fundador da empresa, se estivesse aberto a ouvir e se portar como qualquer outro, seria como qualquer outro. Hoje percebo que não é assim. Há uma hierarquia sistêmica. Quando o fundador fala, sua palavra tem outro peso, mesmo que ele venha com a melhor das intenções de ouvir e ser “horizontal”. É claro, o grau disso varia de ambiente para ambiente, mas nunca estive num lugar onde esse impacto fosse desprezível.”

Na prática: Autogestão & Alinhamento

A transição não é simples e também não se engane: modelos autogeridos não estão livres de oscilações. É um processo de educação e refinamento constante e esse conceito é validado apenas quando o time aprende a lidar com o erro como uma parte essencial desse fluxo.

Quando a gente fala sobre esse período de adaptação em ambientes autogeridos, tem um ponto que não pode ser esquecido. A empresa precisa valorizar as pessoas e estimulá-las a serem capazes de chegar no seu potencial máximo, só que de nada adianta fazer tudo isso se não existir um alinhamento geral dos objetivos com toda a equipe.

Se você não conhece esse gráfico, ele é uma referência ao que foi construído pelo Spotify e nos ajuda a entender o conceito de autonomia em um time distribuído. Aqui fica visível que não adianta ter pessoas super produtivas apontando para direções diferentes porque o resultado final não vai ser o esperado.

Agora, se todos estiverem apontando para a mesma direção… Pouco importa o percurso que cada um vai seguir, o que está em jogo é que o resultado do trabalho individual terá um impacto real no todo.

Aqui também vai mais um conteúdo para completar o que acabei de falar. Neste vídeo, Stewart Butterfield, CEO e Co-Founder do Slack, fala sobre a dispersão das informações em muitas linhas de comunicação e a importância de alinhar objetivos comuns da equipe com a produtividade individual para alcançar mais performance nos resultados de um projeto. Drawing the Future of Work With Slack's CEO Goodbye email? Slack CEO Stewart Butterfield draws his vision of future workplace productivity and communication.www.wsj.com

A grande mágica da autogestão está em entender que não é uma questão onde um único responsável empodera outros. O poder já está dentro de cada um e o que temos que fazer é criar um ambiente e um contexto onde essas pessoas possam ser livres para explorar e ser toda a sua potência.